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Novo módulo do Café Filosófico CPFL discute os dilemas da saúde mental na contemporaneidade

Data:
27/03/2026
Escrito por:
Assessoria de imprensa



Psicanalista e psicólogo Pedro de Santi abre módulo de abril do Café Filosófico CPFL | Foto: Tati Ferro


O novo módulo do Café Filosófico CPFL estreia em 2 de abril, às 19h, dedicado a um dos temas mais urgentes do nosso tempo: responsabilidade e escuta na psicanálise contemporânea. Com curadoria do psicanalista e psicólogo Pedro de Santi, a série propõe uma reflexão sobre os modos como a subjetividade vem sendo atravessada por transformações sociais, tecnológicas e culturais, e quais são os desafios clínicos e éticos que emergem desse cenário.


Em um contexto em que nunca se falou tanto sobre saúde mental, o módulo parte de uma constatação inquietante: ao mesmo tempo em que cresce a atenção ao tema, ampliam-se também os diagnósticos, a medicalização e, paradoxalmente, as formas de sofrimento. Questões como o aumento da ansiedade entre jovens, o impacto da inteligência artificial nas relações humanas, as mudanças nas discussões sobre gênero e raça e até as tensões em torno da democracia atravessam o debate proposto pela série, que também coloca em perspectiva o papel da psicanálise diante dessas transformações e seu compromisso ético com a constituição da subjetividade.


A abertura do módulo acontece com a palestra “Riscos atuais à subjetividade e a busca por bem viver”, conduzida pelo próprio curador. No encontro, ele propõe discutir a atualidade da psicanálise a partir de uma ética do bem viver, diante de um mundo marcado por exigências constantes de performance e por um crescente enfraquecimento das mediações sociais. Segundo o psicanalista, esse cenário tem produzido novas formas de sofrimento e novas maneiras de evitá-lo, nem sempre produtivas. “Vivemos um tempo em que o imperativo de desempenho convive com uma fragilidade crescente das redes de amparo. Isso nos lança a um desamparo que muitas vezes é rapidamente traduzido em diagnósticos e medicalização, como forma de aliviar o sofrimento sem necessariamente enfrentá-lo em sua dimensão subjetiva”, afirma Pedro de Santi.


Ele destaca, ainda, que sob o signo da doença e da intervenção medicamentosa, corre-se o risco de esvaziar a implicação do sujeito em sua própria vida. “Quando atribuímos nossas limitações apenas à doença ou nossos êxitos exclusivamente à medicação, perdemos algo fundamental: a possibilidade de nos reconhecermos como agentes da nossa própria história. A psicanálise, nesse sentido, resgata uma ética que valoriza o desejo, a responsabilidade e a construção singular de um bem viver,” completa.


Ao longo dos cinco encontros, o módulo amplia essa discussão ao reunir diferentes especialistas que investigam as interseções entre clínica, sociedade e política. No dia 9 de abril, o psicanalista e psiquiatra Marcelo Veras aborda as relações entre psicanálise e psiquiatria na era digital, discutindo os impactos da inteligência artificial, da psiquiatria computacional e da chamada “fenotipagem digital” sobre a noção de subjetividade e diagnóstico. Na semana seguinte, em 16 de abril, a psicanalista Priscilla Santos de Souza propõe refletir sobre como o racismo, enquanto estrutura histórica da sociedade brasileira, atravessa o campo da saúde e interpela a teoria e a prática psicanalítica.


Já no dia 23 de abril, a psicóloga Miriam Debieux Rosa discute as relações entre psicanálise e democracia, explorando como a clínica pode contribuir para compreender os impasses de uma sociedade marcada por imaginários distópicos e pela fragilização do laço social. Encerrando o módulo, em 30 de abril, a psicanalista Mara Caffé analisa as transformações contemporâneas nas questões de gênero, situando a chamada “explosão do gênero” em um processo histórico mais amplo, marcado tanto por avanços quanto por reações conservadoras.


Sobre o palestrante

Pedro de Santi é psicanalista e psicólogo, com uma trajetória que articula pensamento clínico, reflexão filosófica e investigação sobre a subjetividade contemporânea. Mestre em Filosofia pela USP e doutor em Psicologia Clínica pela PUC-SP, é professor da ESPM e da Casa do Saber, além de líder do grupo de pesquisa “Eu e o outro na cidade”, vinculado ao CNPq. Com pós-doutorado em Comportamento do Consumidor, também pela ESPM, é autor de diversos livros e artigos que exploram as relações entre desejo, consumo e modos de vida na contemporaneidade, entre eles A crítica ao eu na Modernidade, A subjetividade no ambiente conectado e Desejo e adição na relação de consumo.